Quando eu tinha uns 6 anos, usava mullets e enchia o saco do meu pai para que ele me desse um canivete suíço. Mais ou menos no período de uns dois meses daquela época, todos os dias eu pedia esse “brinquedo” que na minha imaginação ia me permitir inúmeras coisas, de desmontar uma casa à cortar qualquer coisa que não fosse feita de adamantium. Meu pai sempre me dizia que ia fazer a compra, mas até hoje tô esperando. Eu disse “até hoje tô esperando”. Pai, se você ler isso, espero que entenda por que repeti a frase.
Mas por que diabos eu usava um penteado tosco enchia a saco do meu velho ao pedir mais que mendigo em porta de buteco, o tal do canivete? Um culpado: MacGyver.

Andar com som no ombro é pros fracos
Se você é um herege ou uma ameba extraterrestre e não sabe de quem estou falando — o que acho meio difícil —, MacGyver (estrelado por Richard Dean Anderson) era o protagonista de um dos melhores seriados já feitos, por pessoas que merecem a benção divina, PROFISSÃO: PERIGO. Read the rest of this entry »
Desde pequeno fui um moleque que sabia das coisas boas dessa vida. Tudo bem que ao crescer descobri mais algumas, mas hoje sei que ter dedicado meu tempo a assistir “Cinema Em Casa” todo santo dia e gastar a mesada jogando nas locadoras de vídeo-games mais próximas, ajudaram no meu caráter. Hoje posso dizer orgulhoso que sou o que sou devido a minha infância privilegiada em termos de cultura nerd.
Voltando aos dois exemplos acima, explico em poucas palavras um dos porquês de eles serem decisivos na minha formação: filmes e vídeo-games me apresentaram os ZUMBIS!

Mi…óóó…los!
Pela TV conheci o A Volta dos Mortos Vivos, meu primeiro filme de zumbis. Foi a primeira vez vi pessoas que estavam mortas voltarem à vida de uma forma putrefata e querendo comer nada mais nada menos do que outras pessoas. A idéia do que seria o caos completo e irremediável para a humanidade estava então descoberta.
Lá pelos idos de 2001, quando eu era um jovem nerd de 14 anos na sua forma mais clássica — não saia muito de casa, “beijar” era um verbo que desconhecia a ação prática e as HQs estavam presentes como santa leitura mensal — ganhei meu primeiro computador. O PC tinha configurações extremamente potentes para a época (Pentium III, 64 RAM e 10 Gb de HD) e funcionava em conjunto com uma conexão discada-instável, movida a maravilhosos 56kbps. Mas mesmo tendo todo esse aparato com potencial de aumentar cada vez mais meu nível nerdístico, incrivelmente me tornei um ser deveras sociável. Como? Conheci o mIRC.

Não, não é o Pacman
Na época não tinha idéia do que se tratava, mas uns amigos do colégio me recomendaram a baixar e explicaram mais ou menos como funcionava: o mIRC era um programa com a finalidade principal de servir de conversação entre usuários, utilizando o protocolo IRC. Era possível conversar e interagir com milhares de pessoas de diferentes partes do mundo, entrando em servidores específicos. Basicamente era só baixar o programa, escolher um servidor, conectar e entrar em algum canal — que os próprios usuários faziam. Um canal seria como as salas de bate-papo (nessa época também conheci o bate-papo da UOL e suas saudosas salas de conteúdo adulto). O diferencial é que em um canal, seu criador podia configurar um número de usuários para entrar, quem podia acessar, banir algum fanfarrão, e nomear discípulos para fazer essas mesmas funções, ganhando a poderosa arroba e o título de “operador”. Enfim, coisas legais que um MSN não possibilita.
Se você tem entre 18 e 25 anos, certamente vai se lembrar de um dos quadros que mais deixava os pequenos nerds dos anos 90 loucos: Banheira do Gugu.

Ôe, Ôe, Ôe, Ôe, Ôe!! Uba, Uba, Uba, Hey! Uba, Uba, Uba, Hey!
Lá pelos idos de 1998/1999 (não lembro exatamente), Augusto Liberato nos trouxe o inesquecível e strogonófico quadro da Banheira, presenteando o universo e ganhando assim o título de Papai Noel dos garotos desprovidos de Playboy TV.
Diferentemente do clássico Fantasia, o quadro da Banheira era só, bom, um quadro. Durava no máximo uns 10 minutos, mas era tempo suficiente para fazer do domingo um dia com algum significado. Sua importância era tanta, que se naquela época a Morte chegasse para qualquer garoto e fizesse a pergunta final, com cerveja veríamos o seguinte diálogo:
Quando era pequeno, lá pros meus 8 anos, a vida se resumia em algumas coisas básicas: ir ao colégio, voltar pra casa e fazer a lição que exigia menos de meio neurônio para ser feita, ver tv, jogar vídeo-game ou destruir uns Comandos em Ação até que a hora de dormir chegasse. Nada de correria, tudo tranqüilo. Meu quarto era bagunçado apenas pelos bonecos triturados pelo chão.
Como se tivesse pego uma carona num DeLorean, passam-se 10 anos. Deixei os brinquedos de lado — menos o vídeo-game, que é muito mais que um brinquedo —, as lições estão um pouco mais complicadas e os dias se resumem a novas coisas básicas: cerveja, festas e amnésias alcoólicas. Nada mais saudável. Meu quarto agora tem uma desorganização ainda aceitável; na mesa livros de matemática que desejo incinerar, apostilas desgrampeadas, um Nokia 3310 e uma carteira com dinheiro suficiente para pegar um ônibus. Tudo podia ser achado facilmente apenas olhando para o móvel.
Mais uns anos passam, agora estou na faculdade. Paralelamente começo a trabalhar, sendo assim ficar fora de casa praticamente 83% do dia é algo absolutamente normal. Os 10% restantes do tempo uso para dormir, 5% para fazer as necessidades (comer, Nº1, Nº2, banho, sexo e jogar) e os 2% finais sobram pra entrar na internet para jogar e ver pornografia estudar. Só que passando todo esse tempo fora, quando volto pra casa meu quarto tá a maior zona foda. Sem tempo para organizar as coisas, a minha mesa já antiga, tá mais entupida que lotação de meio-dia. No exato momento que escrevo este post, temos amontoados no espaço circular (a mesa é redonda) suficiente para um bêbado deitar e dormir: muitas apostilas essenciais para provas futuras, DVDs, CDs de Playstation, mochila, desodorante, perfume, um disquete, carregador do celular, mp4, um band-aid (?), um panfleto de Santo Expedito e a carteira — que agora tem em seu interior dinheiro suficiente para pegar nenhum ônibus. Isso é o que eu posso VER. Mais objetos ainda habitam o subterrâneo desse ecossistema de materiais particulares. Vou em suas buscas.