História de Carnaval - parte 2

Passe longe
Continuando o perrengue do Carnaval…
Então cheguei na cidade e como vi que a casa em que eu estava (com a capacidade máxima de hospedes saturada e apenas UM banheiro) era uma porcaria, coloquei fé na festa. Foda-se o conforto, tenho que aproveitar o que puder da farra, pensei. Mas aproveitar O QUÊ? — Que foi justamente isso que me perguntei nos dias seguintes.
Dos 4 dias que fiquei na cidade, durante 3 manhãs fui “curtir” o Carnaval de rua, seguindo o pessoal que acompanhava as bandas de frevo que subiam e desciam ladeiras paralelamente tocando marchinhas populares. Eu sabia que o calor de uma cidade nordestina nessa época estaria humanamente insuportável, mas pelo menos imaginei que, como em Olinda, iria me refrescar: na cidade Pernambucana é tradição pessoas molhares as outras durante a festa com água, utilizando armas d’água, baldes, mangueiras, etc. Resumindo, água é com o que você se “suja” por lá. Mas em Neópolis não.
Ao sair as ruas, logo notei que o costume do povo da então inédita cidade era a de sujar pessoas com TUDO que não refrescava, ao contrário, irritava profundamente o indivíduo alvo da brincadeira. Vi pessoas que nas portas de suas casas abriam sacos de farinha de trigo, colocavam um pouco de água (leia-se gotas), mexiam a mistura e aquela merda se transformava numa massa uniforme e argilosa que quando passada em qualquer coisa, principalmente em partes do corpo humano, com o calor escaldante presente se solidificava com a mesma eficácia que — tô falando sério — cimento de construção. Ao invés de uma água amigável no rosto, você recebia um bolo de massa de farinha na cara, que se demorasse muito para ser retirada, havia chances de a pessoa atingida sofrer de uma eterna paralisia muscular facial. Mesmo limpando aquela porcaria do rosto, ao sorrir dava pra sentir a crosta que sobrou da massa rachar no interior dos seus poros. Sabe Super Bonder quando gruda na pele? Aquilo não é NADA.
Outro ingrediente de predileção geral da galera que buscava sujar as pessoas e que achava, sabe-se lá por que, engraçado era o suco em pó. Muito simples de ser usado, basicamente o maluco pegava um saquinho de suco em pó (geralmente de uva, suja mais), o abria no meio da multidão, cuspia dentro, mexia com o dedo, conseguia assim outra espécie de massa pastosa altamente colante, em seguida metia o dedo naquela merda e passava na boca de quem nunca tinha visto dizendo “Olha o batom! HAHA!”.
Tomar-no-cu.
Vi amigos que foram sujos com suco em pó e saliva e que não conseguiram fazer seus dentes voltarem a ter a coloração normal mesmo depois de seguidas escovadas.
Então basicamente a festa consistia em seguir as bandas de marchinha pelas ladeiras, num calor do diabo, rodeado de gente visualmente não muito bonita (veja e morra clicando aqui, aqui e aqui) e recebendo a todo instante cola de farinha no cabelo e batom de suco em pó nos beiços.
Calma, essa era a MELHOR parte do dia.
Como a putaria na rua iniciava lá pelas 10 da manhã, às 5 da tarde o pessoal começava a voltar para casa com o intuito de descansar para os shows que ainda rolavam a noite. Mas a casa em que eu fiquei tinha suas peculiaridades. Quando regressava a ela, vi durante todos os dias as seguintes cenas:
1) Alguns dos hospedes da casa, todos do sexo masculino, dançavam ao redor de um carro na rua com o som de estourar os tímpanos, trajando apenas sungas com meias embutidas.
Foi exatamente isso que eu disse. Caras da casa que nem conhecia ficavam na rua, dançando axé ao redor de um carro que suponho que seja de um deles, pagando de fortões com meias dentro da sunga. Como eu soube disso? Segue o diálogo:
– E aí, broooder! — fala pra mim um dos dançarinos estranhos enquanto eu saia da casa — Sabe dançar não? Chegaí!
– Valeu, nem rola.
– Qual foooi, irmãozim?
– Sabe o que é, vocês tem um gingado que eu não tenho, brooooder! – respondi com um tom de ironia não notado.
– Pô, é fácil. Pegaí uma sunga, põe uma meia dentro pra impressionar as menininhas e já era, mô paaai!
– Tá falando sério?
– Que foi?
– Vocês usam meia dentro da sunga?
– Só pra impressionar, normal… – responde o maluco dançando algo que me lembrou a Carla Perez com flatulências.
Para vocês terem a mesma sensação que tive quando vi aquilo, saibam que era mais ou menos uma merda dessas.
2) Ao ir fazer uma comida, geralmente miojo, tinha que ter cuidado com o pessoal que dormia na cozinha.
Depois de passar o dia inteiro na rua apenas na base da cerveja, quando regressava à casa só tinha uma coisa em mente, matar a fome que violentava o estômago. Automaticamente todas as vezes que me dirigia pra cozinha a fim de fazer um miojo horroroso, só pra não morrer mesmo, tinha que ter dois cuidados. Um era de não deixar óleo quente ou água fervente espirrar para fora da panela. Cozinhar e deixar que uma dessas coisas acontecesse, significaria que o cara que nesse exato momento dormia embaixo do fogão (falei que não tinha espaço na casa) acordaria com óleo quente papocando em sua face. Basicamente quem ia usar a cozinha, a dividia com umas 12 pessoas que naquele mesma hora estavam descansando em seus confortáveis colchonetes.
Outra coisa que deveria se ter atenção era na hora de abrir a geladeira. Havia sempre um cara que dormia ao lado dela, então toda vez que alguem abria o velho eletrodoméstico para pegar qualquer coisa do congelador, por exemplo, tinha que ter cuidado para que nenhum pedaço de gelo caísse no cidadão abaixo. Se bem que deixei cair certa vez um pedaço de queijo na cara do maluco que dormia e ele nem acordou.
3) Cuidado ao pisar no quintal.
A porta da cozinha levava ao quintal. Entenda “quintal” como uma área de terra e lama que pessoas jogavam o lixo que se formava na casa e, quando a situação apertava, usavam parte do local como banheiro. Vale lembrar que também havia gente que dormia por ali, meus amigos. Sendo assim enquanto você jogava os restos de macarrão instantêneo no lixo, ou fazia um xixizinho maroto, tinha que ter cuidado para que nada atingisse as pessoas que dormiam tranquilamente perto do lixo.
Agora imagine como deve ser a perfeição de um Carnaval de quem tem que dormir na lama, do lado de fora da casa, na mesma área em que se joga lixo e se distribue xixi destilado de cachaça. Tinha gente que simplesmente não ligava. Aposto que esse mesmo pessoal se visse pousando no lixão um mosquito mutande portador do vírus ebola, cuidariam dele como se fosse um filhotinho de cachorro.
No início da noite, com isso tudo acontecendo, havia o momento do segundo banho do dia. Esqueci de explicar, mas se tinha direito a dois banhos: o primeiro era logo cedo, pra acordar; já o último era à noite, pra quem fosse aos shows ou quisesse tirar a sujeira do corpo obtida pela manhã nas ruas. Como falta água na cidade nessa época (coisa que eu não sabia, que beleza), quem se sujasse de dia tinha que esperrar até anoitecer para poder tirar com eficácia o suco em pó das gengivas, por exemplo. Até pensei em sair à noite, mas como só tinha um banheiro na casa — isso significa que se você chegasse na fila do banheiro às 21h, só tomava banho para sair perto da meia-noite — não saí em nenhum dos dias.
Mas um amigo meu que foi ao show me disse que a festa era “razoável”, entenda como quiser, entretanto havia um pequeno problema: o palco onde as bandas tocavam e ficava o povão se situava na parte baixa de uma ladeira. Você tinha que descê-la para chegar à festa. Porém, as barracas de bebida e tiozões que vendiam cerveja no isopor de praia ficavam na parte de cima. Então toda vez que você queria beber, mesmo água, tinha que subir o diabo da ladeira. Isso desviando de bêbados, marginais adeptos do cabelo do Belo, travecos barbados, moleques salientes que ainda atacavam pois ainda tinham restos de saliva e suco em pó e uma multidão que vinha freneticamente no sentido contrário. Que MARAVILHA.
Passou-se o Carnaval e depois de dias sujo com uma mistura farinha e Tang de uva que me cobria do cabelo ao interior das cuecas, dormindo horrorosamente, sem comer direito, mal tomando banho, enfim, passado pelo inferno, regressei novamente a Aracaju e só quero saber uma coisa:
Quem foi o filho da puta que inventou e achou bom esse Carnaval do Satanás?
Só de lembrar eu já… ![]()
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20 comentários em “História de Carnaval - parte 2”








uhaUHahuAHUah
Por isso que odeio carnaval… nem solteiro eu vou pra carnavais… muito ruim mesmo…
Cara, que perrengue mesmo!
Excelente!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Cara, vc foi ao inferno e voltou. Acho que vc tem poderes misticos ou é o proximo Messias.
So de ler acho que vou ter pesadelos com esse lugar.
“Sabe Super Bonder quando gruda na pele? Aquilo não é NADA.” - melhor parte!
E sobre colocar meia dentro da sunga, me lembra quando brincava de Hulk (ou algo do gênero) e vestia 5 mil blusas só pra dizer que estava mais forte.
Excelente!
“Olha o batom! HAHA!”
Moral da história:
Jovas, carnaval só em Olinda!Até 2010!
Se bem que deixei cair certa vez um pedaço de queijo na cara do maluco que dormia e ele nem acordou.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
mt bouaaa
Eu estava bastante cômoda na minha cama. Na minha!
hsuiaushaihsuahisia
Se bem que deixei cair certa vez um pedaço de queijo na cara do maluco que dormia e ele nem acordou. kkkkkkkkkkkkk… Outra coisa como é que alguem dorme embaixo de um fogão? socorro!!!
To vendo que o meu carnaval não foi tão ruim assim! Bom! Jovas, da proxima vez tu vem pra São Paulo se tu num pegar um resfriado vai estar num engarrafamento. Abraçoss
Que coisa medonha! Aqui no Ceará é essa “diversão” de sujar as pessoas. Tô fora! Quando você pensa que a humanidade não pode piorar…
Ahauehaheuhaueha, muito bom, valeu pela aventura, aehuaehuahe
Caracas, jovas, me diverti a valer aqui. E tu ainda ficou os dias inteiros nesta casa do terror?
Depois dessa nunca que vou querer ir à Neópolis.
Muito bom, ri muito, cara kkkkkkkkkkkkkkkk
Falando nisso cadê tu?
cara, depois dessa, vc foi e voltou do inferno, ainda bem que eu odeio carnaval e nunca me dou mal!!! xD
aguardo ansiosamente historias novas!!! =D
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
incrível como o povo fala que o carnaval de lá é um dos melhores, após esse seu testemunho pensarei seriamente se realmente irei passar o carnaval lá ou não xDDD
Maaaaaluco, já passei por um carnaval onde a hospedágem era igual a que vc descreveu, igual mesmo. Porém pra aliviar eu estava em uma cidade bemmmm melhor, com pessoas bonitas e boa farra.
Parabens pelo Blog.
¬¬ Deve ter gente q ainda gosta do tal do “batom”
___
Meu carna foi um tédio..
Namorando, numa cidade pequena, feia e chata.. e ainda com vontade de fazer xixi toda hora..
Até minha mãe aproveitou mais o carna q eu, e ainda brigou qnd eu chamei pra ir embora mais cedo p casa. ¬¬
Eu tive péssimas experiencias com carnaval. Não gosto mesmo!
Bem que senti sua falta em olinda…
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
mas vejo que não faltou diversão em Neópolis!!!
euhueheuehue
ps: Por esses e outros motivos tenho medo de trocar Olinda por outros carnavais…
:***
kkkkk morri de rir com essa tua “aventura”.
-olha o batom !
aquilo deve ser uma nojera memo ne .
vui mane na proxima va a uma cidade com pessoas civilizadas e nao uns moleques com batom de uva.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk .
o povo e muito idiota em levar queijo na cara e nao acordar kkkkkkkkkk
“Olha o batom! HAHA!”. < rachei com isso!
Pô Jonas .. não sabe fazer miojo?! D:
kkkkkkkkkkk
E tenho certeza que aquilo não era TANG e sim KISUCO! kkkkkkkkk
cara que aventura vc passou imagino a vontade que vc estava de voltar para casa.
cintia