História de Carnaval - parte 1
Fevereiro passou, o Carnaval enfim terminou e como a boa tradição brasileira comanda, é agora que o ano se inicia. Mas, falando em Carnaval, como foi o de vocês, galerinha?
Quem ficou em casa? Quem viajou? E quem foi a outra cidade, foi a um lugar tranquilo ou procurou alguma festa ensandecida?
Eu viajei — e lhes conto agora como foi uma das PIORES viagens e festa que já participei na vida.
Faz uns 3 anos que vou sempre a Olinda/PE, aproveitar um dos melhores carnavais de rua que ainda são feitos com qualidade no país. Cidade histórica, bonita, muita gente boa, nada de brigas e tumultos durante a festa, resumindo, não tenho nada a reclamar. Porém, esse ano resolvi mudar os planos. Com a grana curta, decidi não viajar para fora do estado e optei por ficar por aqui mesmo, viajando para uma cidade do interior. A escolhida foi Neópolis.
Conhecida por ter o 2º melhor Carnaval de rua do mundo, perdendo apenas para o de Olinda (tem lá na Wikipédia, pode conferir), nunca tinha visitado a cidade, mas muita gente me recomendou viajar pra lá como opção de uma boa festa.
E é pra esse pessoal que me recomendou o Carnaval de lá que faço a seguinte pergunta:

– PERDERAM O JUÍZO, FDPS?
Sério, duvido fortemente que a intenção dessas pessoas que me aconselharam ir pra lá não era pura e simplesmente que eu me fodesse. E aposto também que eram suicidas, pois tenho absoluta certeza que esperavam que eu regressasse puto e consequentemente distribuisse peixeiradas a vontade em seus intestinos.
Entretando, você deve estar se perguntando “Mas Jovassm ,qq conteceu?/”. Deixando a enrolação de lado, vamos começar do início.
Primeiro, para poder viajar para a longínqua cidadezinha, tive que pegar uma lotação. Uma mini-van daquelas que ficam na rodoviária e tem passagem mais barata. Vans puramente clandestinas, para ser mais exato. As passagens de ônibus normais já haviam acabado e arrisquei viajar fora da lei mesmo. Com uns amigos comprei as “passagens” (na verdade era um pedaço de saco de papel de pão com o nome escrito passajeiro) na hora que cheguei à rodoviária e não demorou muito para que a estrada fosse pega. Vale ressaltar que não sei quantas pessoas cabem nesse tipo de veículo, mas o número de gente compactada dentro daquela merda era MUITO maior que o pequeno carro poderia suportar.
Sentado no fundão, ao meu lado havia uma senhora com uma galinha no colo. Inicialmente pensei que era um senhor, pois possuía na face um bigode maior que o que eu conseguiria caso cultivasse pelos na minha cara para todo o sempre, por exemplo. Lembram do Danny Trejo, o Machete do trailer fake de Planet Terror? Pois então, era exatamente igual à senhora que estava ao meu lado.

Basicamente esse cara era a véia ao meu lado. Bom, ela devia ter mais tatuagens
Durante a viagem, mesmo com todos os vidros da van abertos, o amontoado de gente se apertando para conseguir ao menos respirar aquecia notavelmente o interior do carro, tranformando a van numa sauna móvel. E pior, uma sauna móvel que vaporizava de gases tóxicos que eu não preciso explicar quais são pois vocês podem imaginar muito bem do que estou falando. Mesmo com aquele fedor e suor coletivo, pra minha mínima sorte, eu que estava com o ombro esquerdo situado proximamente perto do suvaco da senhora de bigode, conseguia evitar os pingos provindos de suas axilas, pois antes que pudessem cair em mim, caiam antes numa das asas da galinha.
Para vocês verem minha situação, de início tive inveja da galinha. Ela podia levantar, abrir as asas, se quisesse até botar um ovo, já que não estava tão apertada quando o resto do pessoal dentro da van. Mas ao ver aqueles pingos do fluido aquoso que caia do suvaco da véia diretamente em suas penas, não duvido nada que aquele animal preferia imediatamente virar um guisado e ser devorado por indigentes famintos do que continuar naquela posição.
Outro fato a ser observado é sobre o motorista da van. Motoristas normais que transportam passageiros, automaticamente sabem que tem uma grande responsabilidade em mãos. Caso alguma merda aconteça, a culpa cai para o condutor do veículo. Entretanto havia uma diferença em relação aos motoristas normais e o motorista da minha van. Esse cara sequer sabia que tinha uma responsabilidade. O infeliz acelerava violentamente pela estrada, realizando curvas que faziam minha pessoa se borrar completamente (eu tinha medo de numa curva um pingo de suor da véia desviar da galinha e me atingir) e achava a coisa mais normal do mundo. Certeza que esse cara não tinha amor pela vida.
Depois de uma hora e meia de viagem, cheguei na cidade e tive duas conclusões:
1) NUNCA mais andarei de mini-van
2) Motoristas de van ganhariam facilmente a Death Race
Depois de seguir as coordenadas que uma amiga tinha me passado da casa em que eu ficaria, segui com meus amigos pelas ruas até então desconhecidas até achar o local. Havíamos pago um valor considerável para ficar numa casa alugada por uma amiga dessa amiga e assim ficar na cidade com um teto e comida garantida. Minto; teto, comida e todo sofrimento que um ser humano pode passar em um feriado nacional.
Foi me assegurado que a casa era espaçosa e que tranquilamente poderia suportar 20 pessoas em seu interior. Até aí tudo bem. Só que ao chegar no local, percebi que aquela merda não era nada espaçosa e que já havia bem mais de 20 pessoas hospedadas. Só pra adiantar, contando comigo e meus três amigos, ao final do Carnaval a casa abrigou 43 pessoas.
Todos os móveis da residência haviam sidos retirados. O objetivo era adquirir mais espaço no recinto para o pessoal poder dormir em seus confortáveis colchonetes e assim descansar dos longos dias de festa. Com 20 pessoas isso ia até ser possível, mas com o dobro… nem fudendo. Assim como a mini-van do inferno, a casa também estava densamente povoada. Inicialmente o lugar escolhido para que o pessoal pudesse dormir foi a sala, para quem tinha colchonetes/colchões inflavéis/etc, e as camas para os casais ou gente que chegasse primeiro e as tomasse posse. Consegui um canto da sala, perto de uma parede repleta de mofo, mas tava EXCELENTE. Devido àquelas condições, não tinha nem como reclamar. Naquele aperto vi uma galera que tinha as camas situadas, por exemplo, no chão da cozinha, no quintal com o cachorro, na porta do banheiro e, o melhor, um maluco que pagou pela casa, mas como chegou atrasado não havia mais lugar para caber ninguém e ele teve que deixar o colchão na calçada da rua. Sim, o cara teve que dormir na rua, na calçada da casa, ao relento, com chance de ter as nádegas apalpadas por algum mendigo tarado e com muriçocas chupando seu sangue durante toda a noite.
Como era Carnaval, aquela putaria e tal, percebi que aparentemente ninguém ligava pra esses pequenos detalhes.
E no próximo capítulo: como foi a festa, mais perrengues que a casa oferecia, pagodeiros adeptos da meia na cueca e o que acontece quando falta água numa casa e existem 40 pessoas sujas de suco em pó de uva?
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14 comentários em “História de Carnaval - parte 1”








“…de início tive inveja da galinha. Ela podia levantar, abrir as asas, se quisesse até botar um ovo…”
AHSOAHOSHAOSHAOSHAOSHOSHOAHSOAHSOAHAS
ri muito com essa! e ainda pensava que o meu primeiro porre durante o carnaval, gravado em vídeo para a posteridade, tinha sido engraçado!!
Faleço de rir com seus textos.. uhaHUAhuAUH
Mas não foi só você que se ferrou neste carnaval… me fodi também… com direito a delegacia e tudo… huaUHAhuAH
Jovas voltoooou! =D
♫Olinda, quero cantar, a ti, essa canção♫
Eu sou Pernambucano de Recife, e tdo carnaval estou em Olinda!
Só posso te dizer uma coisa:
- Perdeu!!!!
kkkkkkkkkkkk
kkk
caraiiiii
só foi a metade da história, mt treta vixe.
que dia tem a parte 2?
Ahauheuahuea, muito bom. To curioso pra ler a parte 2. Histórias de viagens são sempre muito boas.
Mas se esse for o segundo melhor carnaval de rua do mundo e for ruim como vc diz, imagina o terceiro? E pior?
Meu pedido solene foi atendido. Valew Jovas!
(eu tinha medo de numa curva um pingo de suor da véia desviar da galinha e me atingir)kkkkkkkkkkk
Meu Deus! Se essa foi a primeira imagine a segunda…. nesta eu tenho um surto de risos!
43 numa casa para 20 pessoas deve ser uma delícia. Já pensou se rolasse uma epidemia de desinteria? FODEU na certa!
Eu odeio o carnaval!
Olinda é o melhor carnaval do mundo?! Em que mundo vocês vivem?! Salvador é mil vezes melhor!
Jovas estou no aguardo da segunda parte ainda kkkkkk!!!! Abraços!
@Matheus
Carnaval de rua. RUA. 0800.
Carnaval pago, com um abadá custando metade do preço de um carro zero, como geralmente é o Carna de Salvador, já é outro estilo da coisa.
Falando nisso, fazendo a parte 2 now.
kkkkkkkkkkkkkkkk
Pô Jovas .. fiquei com dó de vc … mas mais dó da galinha xD
Isso foi pior que passar o carnaval em casa vendo desfile das escolas de samba! (Y)