Halloween inesquecível

Data: 15 set 2008
Escrito por Jovas
Categoria: Nostalgia
13 Comentários

  • Post nostálgico e também tentativa de empolgar vocês preguiçosos que AINDA não participaram da PROMOÇÃO Conte a SUA História — que dá a chance de ganhar um livro do Bukowski.

Por causa desse post do Marcus, me lembrei do dia em que bebi um copo de cerveja INTEIRO pela primeira vez. Veja bem, esse não é um texto repetido. Já falei por aqui sobre a vez do meu primeiro porre, mas essa de agora é uma outra história (ou estória, se preferir).

O ano era 2001. Estava com 14 anos e prestes a realizar um feito que se você é menor de idade e está lendo este texto, saiba previamente que não deve tentar fazer o que fiz em casa. Na verdade, se você é menor de idade, que diabos tá fazendo num site que logo de início há no topo um banner com um adulto bebendo um líquido alcoolizado e divino? Mas pensando bem, como o que eu fiz na época era algo proibido pra minha idade, tudo bem, pode ler.

Continuemos.

Estava na 8ª série e era época de Halloween. Como o lugar em que vivo não é uma província anglo-saxônica,  esse evento cultural não é algo que acontece com muita tradição por aqui. Ou se  houve algum dia que moleques vestidos de Freddy Krueger e meninas sem pais com noção saíram às ruas batendo nas portas de casas alheias, em busca de doces e balas 7 Belo sabor framboesa, eu devia estar MUITO bêbado pra não ter visto isso.

O fato é que pelo menos naquela época, o Halloween era comemorado basicamente por empresas de cursos de inglês e, de vez em quando, por pessoas que estudavam nesses mesmos cursos de inglês e que, se fossem providas de casas tamanho Castelo, davam festinhas baseadas nesse tema.

Certo dia enquanto estava no intervalo do colégio, discutindo com meus amigos sobre qual das meninas da sala ao lado era mais gostosa, só que por idiotice timidez não dávamos nem um “oi” — imagine conhecê-las —, fomos convidados por uma dessas meninas para uma festa comemorativa do Dia das Bruxas, que seria dada na casa DELA. Ela era conhecida de uma amiga em comum nossa e resolveu nos chamar. Tenho certeza que naquela hora cada um de nós (éramos quatro) teve alguma falha no sistema nervoso, pois pelo choque eu mesmo perdi todos os meus sentidos e quase a vida útil de um pulmão. Dado o convite, não sabíamos o que responder, até que alguém disse:

– Tá… err… va-vamos. (???)

Como assim, vamos? Eu só saía de casa para ir ao colégio e comprar pão na padaria. Forçado, pois era obrigado por alguém muito mais forte que eu: meu pai. E já que meus amigos naquela época também não eram muito de sair e nossa Força ainda era fraca perante uma saia, me perguntei novamente: COMO ASSIM, VAMOS?

Porém, já que havíamos sido convidados por uma aspirante a cheerleader e aquela era uma chance de sairmos do mundo nerd, mesmo que por uma fração mínima da vida, enchemos o peito e decidimos ir. Minto, pensamos bem por uns dias se aquela era realmente uma boa proposta, mas fomos mesmo assim.

Ao chegar na festa, ainda com a dúvida se tínhamos que ir com ou sem fantasia (eu já tinha me empolgado com uma roupa de vampiro), vimos que era uma confraternização normal: vestimentas do dia-a-dia em menores de idade que bebiam litros de álcool como se fossem algum tipo de peregrino perdido num deserto, que quando estava quase morrendo encontrara um oásis com uma placa posta num cacto que dizia “Beba TUDO que puder”. Enquanto esses jovens ingeriam líquidos que até hoje não sei a composição, sentamos numa mesinha dentre as várias que haviam no local e que coicidentemente não eram utilizadas por absolutamente NINGUÉM da festa, logo que todos estavam se divertindo, e começamos a conversar. É, conversar. Não havia comida ou refrigerante, apenas álcool e uma garotada bêbada caindo de roupa na piscina. Não podíamos fazer outra coisa a não ser olhar praquilo tudo e indagar um aflito “E AGORA?”.

Nisso a garota que havia nos convidado para a festa vem falar conosco:

– Opa, cês chegaram!
– Chegamos…
– Olha, tem bebida ali no freezer! Ah, improvisei e fiz uma boate lá na garagem, viu??
– …
– Bom… aproveitem, meninos!

E saiu.

Então era isso, ela tinha oferecido duas coisas que jovens como nós não poderiam aproveitar. Sobre a bebida, acho que já está claro que naquela época eu não sabia o que era isso, e a respeito de dançar… DANÇAR! Meus amigos, nem vou comentar.

Então depois de um papo entre eu e um dos meus colegas a respeito da professora de informática que, além das outras garotas, éramos a fim — e papo esse que quase dá em briga, pois eu não podia estar a fim da mesma professora que o meu amigo, o cara não se conformava —, surge de dentro da casa uma véia segurando uma bandeja repleta de copinhos plásticos. A senhora foi se aproximando da nossa mesa, já que era a única sendo habitada, e então pude ver o que continha naqueles copos… Ora, que novidade, cerveja. A véia, que devia ser uma mãe desnaturada e dona da casa, mandou um “VÃO BEBÊ NÃO, PORRA?!”. Puta merda, vi que a véia tava extremamente chapada.

A suposta mãe da garota parou então ao nosso lado e mandou diversas vezes aquela mesma pergunta, que por sinal entrava em nossos ouvidos ao mesmo tempo que aquele bafo maldito de cana adentrava nossas narinas. Em menos de 30 segundos eu já odiava aquela mulher com todas as minhas forças. Ficou lá falando sozinha quando num certo momento, um dos nossos colegas de sala, de mesma idade só que parecia estar avançado 5 anos na cronologia vital, entra na conversa. O cara foi logo pegando um dos copos de cerveja da bandeja e nos instigou a um desafio:

– É o seguinte! Eu vou esconder uma tampinha de garrafa numa das minhas mãos e fazer um malabarismo. Se a pessoa que aceitar a brincadeira acertar em qual das mãos a tampinha está, nada acontece. Se errar… tem que BEBER O COPO DE VIRADA!

Uma sensação de que aquilo era uma coisa altamente perigosa de ser feita (e era, caso você seja o menor que falei no início desse texto) surgiu em nossas mentes. Nós quatro nos olhamos com uma cara de puro suspense. Entretanto, movido a um instinto animal e vocação natural de manter a honra, falei: – Eu topo.

Meus amigos se entreolharam e eu via em suas faces um medo como se Jesus em pessoa tivesse se materializado naquela festa e proibindo-nos a ingestão de qualquer coisa diferente de suco de caju. Claro, aquilo era um copo de cerveja e, portanto, continha um teor de álcool, que na nossa consciência era aquela substância que nos filmes americanos víamos que o pessoal só podia ingerir a partir dos 21 anos. Os efeitos deviam ser brutais — e realmente são, caso você cresça e entre numa faculdade tipo a minha, de amigos biriteiros. Imaginávamos que ao beber aquilo a pessoa automaticamente subtraia metade dos seus anos de vida que viriam. Ouvi um “Vou dizer à sua mãe!”, porém ignorei completamente a sentença, provocando meu colega avançado a continuar a aposta. O cara colocou a tampinha numa mão, mostrou a outra que estava vazia e as fechou. Colocou as mãos para trás,  se mexeu um pouco, e como o cara tava bebaço eu vi que o movimento de um braço mostrava que ele tinha colocado a tampinha na outra mão. Que merda de malabarismo, pensei. Então o maluco colocou novamente as duas mãos fechadas para frente e pediu para que eu escolhesse.

Nesse momento eu pensei nas consequências que viriam a partir de uma das minhas duas claras escolhas; ou acertava a mão em que estava a tampinha, não bebia a cerveja e tudo seguia seu curso normal, comigo voltando ao colégio para falar da parte do Pokémon Yellow que estava, OU errava propositalmente a mão, bebia a cerveja, ficava de castigo se minha mãe soubesse e, de quebra, impressionava a geral. O que é um pensamento completamente idiota, fazer algo por causa dos outros, mas naquela época era a saída mais legal.

Apontei pra a mão errada.

Agora imagine que você está andando pela rua indo fazer alguma coisa irrelevante, e aí um pedestre qualquer pára do teu lado, olha pra cima com uma cara de aterrorizado e aponta pro céu. Você então levanta o olhar a e vê que uma bomba atômica com um selo escrito “North Korea” está vindo diretamente da troposfera em direção a sua cabeça. Sério, imagine isso. Se fez o que pedi, a cara de cagaço foda que você faria foi a mesma que meus amigos que estavam comigo fizeram.

Foi mais ou menos assim

Se naquela época já tivéssemos assistido a 300, com certeza sairia da mesa um “THIS IS FUCKING MADNESS!”. Como esse não era o caso, só consegui escutar um “Você não pode fazer isso!”. E essa foi a deixa. Peguei o copo de cerveja que estava na mesa e bebi num gole. Meus amigos ficaram altamente atônitos, me passando a impressão que o que eu tinha bebido na verdade era chá de cogumelo. Nisso o cara que fez o desafio já tinha saído dali, pois aquela merda certamente não era nenhuma novidade pra ele e a véia não falou mais nada. Por uma fração de segundos, confesso que pensei “Opa, isso é bo…”, entretanto logo fui cortado por alguém que andava pelas mesas e nos chamou pra irmos à boate. Porra, se eu já tinha conseguido beber um copo INTEIRO de cerveja, encarar a boate seria moleza.

Entramos na garagem/boate. Minha coragem sumiu naquela mesma hora, pois havia tanta gente ali que, diferente de mim, sabiam se sacolejar sem parecer que uma entidade cósmica estava expulsando suas almas e invadindo seus corpos. Aquilo me intimidou. Eu não sabia dançar. Nem meus amigos. Escolhemos um canto do local e ficamos lá parados. Parados enquanto grande parte das meninas que tranquilamente ficaríamos, dançavam semi-bêbadas e enlouquecidas de inalar gelo seco. Tentei me mexer até, mas não dava. Até hoje isso é um problema pra mim — veja bem, caso sóbrio.

Demos um tempo, voltamos à mesa, a véia estava apagada numa cadeira, acho que tinha algum morto boiando na piscina e a festa acabou quando o dia já estava ficando claro, e nessa hora fomos embora.

Enfim, uma das minhas primeiras festinhas fora os aniversários da minha avó havia sido uma merda. Mas pelo menos que foi um Halloween inesquecível, isso foi.

Veja outros textos:
  • História de Carnaval - parte 1
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    13 comentários em “Halloween inesquecível”

    1. Thomas - Papo de Bar disse:
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      nada melhor que a primeira vez…

      uahHUAUHAAHUAuhaUHUHauha

      acabei de acordar agora e estou meio bêbado…

    2. marcus disse:
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      Dançar é algo que me intimida até hoje.

    3. Pri disse:
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      Ah, vc nem teve uma reação indesejada, foi tranquilo!

    4. Will disse:
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      Taí, essa não pareceu traumática! Talvez se fosse “São Braz” rsrsrsrsrs

    5. Jovas disse:
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      @Will
      Traumática não foi, mas necessariamente não precisa ser. Tendo UM dos três temas, tá valendo pra Promoção. =D

    6. Under disse:
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      Cara, eu NUNCA consegui aprender a dançar. Se bem que, sinceramente, não quero aprender XD!!!

    7. NaTu disse:
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      lembro que eu chamei “a véia” pra trazer um REFRI e fiz: “pssiu!”…se arrependimento matasse…ela me deu uma bronca do caraiu hauhauhauhauhaua

      e a prof de informática, no coments, to vendo tiago pegando a pedôio na minha frente =/

      auhauhauhaua

      =)

    8. Jovas disse:
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      @NaTu
      E aquela maluca do caralho dizendo que não era cachorro ou garçonete pra você chamá-la assim, né?

      Véia maldita…

    9. Vídeos, Jogos & Blogs | Asttro! disse:
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    10. Raul disse:
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      bixo, vc é do Espirito santo?

      ehauaehuehuaehu lembro exatamente das festinhas dos cursos de ingles de dos “rocks” na casa das meninas ricas do colégio..

      saudade demais!

    11. Jovas disse:
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      @Raul
      Não, sou de Aracaju/SE. Aqui era a mesma coisa. =D

    12. Felipe disse:
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      HAuhua, que beleza hein…Sabe de uma coisa?! Também não sei dançcar..Af! É uma merda…Nem sei quem inventou…

      Mas pô, nem pegou ninguém…Ah! Mas faz parte vai…Fica pra próxima…

      ¬¬’

      Beleza…

    13. Paola oliveira justin disse:
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      adorei esse blog sempre que eu poder irei dar uma espiadinha

    Comenta, diacho!

    (blog, fotolog, orkut)

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