Acho que se você já acompanha o blog há algum tempo, já percebeu que sou um cara bastante saudosista. Isso porque a infância, pelo menos pra mim, é um tempo de grandes memórias. É nessa fase que vamos acumulando ao longo dos anos boas lembraças, como Thundercats, Comandos em Ação, Boneco do Fofão com adaga malígna no enchimento e a descoberta televisiva do Cine Privé e da Banheira do Gugu. São fatores como esses que tornam esse ciclo prazeroso de ser lembrado. Entretando, nem tudo era bundas seminuas na TV.
Você não deve saber, mas uma lei natural foi criada por forças inexplicáveis que determinaram o seguinte: na infância SEMPRE pequenos traumas vão acontecer. Traumas que vão lesionar esse período pueril, presenteando sua consciência com recordações que NUNCA serão esquecidas. E eu tenho algumas VÁRIAS.
.
Quadrilha do Inferno
Não sei em que série da escola estava, mas devia ter uns 4 anos. Acho que foi o primeiro trauma que tive, e foi tão grande que, pra você ver, ainda me lembro.
Minha jovem figura de criança inocente até então desconhecia o conceito de passar por uma decepção, mas foi com essa idade que eu percebi que coisas como o fato de a sua própria mãe fazer um complô com a professora do colégio, e sem explicação plausível estabelecerem que seu destino era se foder, era algo possível.
Explico: era Junho, mês de São João, e os preparativos para a quadrilha da sala estavam começando. Como a turminha se dividia balanceadamente, 10 meninos e 10 meninas, o ritual de dança do mal poderia ser feito tranquilamente. Lembro que havia um ensaio básico, pra garotada não fazer merda durante a apresentação, mas antes disso ocorria a escolha dos pares. Nessa época minha apreciação pelas fêmeas era quase inexistente. Quase. Havia uma aparição sutil dela. Por exemplo, eu já achava uma das meninas da classe bem bonita, e de algum modo “gostava” dela. Só pra você ter uma idéia, quando eu ia comprar meu lanche na cantina, aproveitava pra comprar um Bubbaloo pra garota que eu era “a fim”. Quando voltava à sala, deixava o chiclete na mesinha da menina, com ela vendo o ato — acho que com aquilo eu queria dizer “Continue aceitando esse presente, pois nosso namoro tá bom assim” ou “Com isso me declaro seu dono”, não sei — e em seguida ia à minha carteira. O ruim é que ao ver isso, alguns dos meus colegas de turma começaram a me imitar, e assim surgiu uma das primeiras concorrências que tive. Ela não tinha mais somente a mim como presenteador exclusivo, surgiram mais. Agora ela recebia além de chiclete, pirulitos e balas dos meus concorrentes. Bastardos… Mas continuando; só sei que na escolha dos pares da quadrilha, minha professora do nada resolve o quê? Continue lendo »
![]()










