Na ida para o trabalho ontem, saí da universidade e fui pegar um ônibus. O horário era perto de meio-dia, ou seja, busão com capacidade máxima de passageiros tranquilamente ultrapassada. Numa definição ideal, é o inferno sobre rodas.
Pois bem, quando o ônibus chegou, consegui rapidamente subir, deixando para trás o arrastão ensandecido que se forma quando a galera vê o veículo estacionando no ponto. Entretando, mesmo sendo um dos primeiros a entrar, não havia nenhum lugar vago. Então segurei na barra de um dos assentos e fiquei tentando me manter vivo no meio daquela muvuca. No assento a minha frente estava um velhinho sentado. Olho para o lado e noto que havia uma mulher com moleque pequeno, devia ter uns 6 anos. Pois bem. Depois de umas 8 paradas e milhões de visões desagradáveis (vi uma tia comendo PEDAÇOS DE FRANGO que guardava numa vasilha), o velhinho se levanta e salta num dos pontos da linha. O moleque, ao ver o assento agora vago, se prepara pra sentar quando sua mãe manda um dito clássico — pelo menos dos usuários de ônibus:

– Não sente ainda porque senão pega DOENÇA. Espere esfriar…
O busão tava chacoalhando muito, o motorista parecia o Mad Max em A Caçada Continua e a mãe proíbe o garoto de sentar? Imagina ganhar um PS3 e só poder OLHAR. É muita crueldade, cara.
O garoto então ficou parado em frente ao assento, nitidamente aflito mas se segurando pra não reclamar, e assim evitar umas palmadas, até que 5 minutos depois a mãe liberou o moleque a sentar.
Assistindo aquilo, me perguntei, da onde tiraram isso? Que porra é essa de se a pessoa sentar logo depois que outra levantou, pega algum doença? WTF?!
Quando era menor, minha mãe também já tinha me falado isso, mas pensei que certos tipos de idéias já estavam ultrapassadas e tinham sido deixadas de lado. Que nada. É incrível como o pessoal ainda tem certas crendices surreais. Inspirado nisso, apresento-lhes um apanhado geral de alguns exemplos (que lembrei agora) do que o povo acreditou ou ainda acredita, e sem seleção específica de categoria, vamos às LENDAS URBANAS DO POVÃO.
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A Loira do banheiro
Esse todo mundo conhece. Preferido das crianças do primário, o mito da Loira que aparecia no banheiro foi espalhado há milhares de anos. Basicamente, era dito que uma loira, com algodão nas narinas, caolha, verruguenta, bigoduda, enfim, extremamente medonha, surgia no banheiro para aterrorizar geral.
Reza a lenda que a loira era uma aluna que gostava de gazear as aulas e se escondia no banheiro para jogar Pokémon Red. Num dia de azar, quando estava quase capturando um Jigglypuff, caiu da privada, bateu com a cabeça e morreu. Seu fantasma então passou a vagar pelos banheiros dos colégios, assombrando todos aqueles que fazem o mesmo que ela costumava fazer. Há outra versão que diz que a loira era na verdade uma professora que se apaixonou por um aluno. O marido descobriu, e no banheiro da escola a matou com facadas. Prefiro a versão da garota fã de Pokémon.
O mito varia dependendo da região. Na minha época por exemplo, a chamávamos de “Big Loira” e o ritual para que ela aparecesse consistia em bater na porta do banheiro da escola 3 vezes e falar “Big Loira, Big Loira, Big Loira”. Fiz isso uma vez, me cagando, admito, mas não aconteceu nada. Porém, fiquei sabendo que o modo correto de fazer é apertar a descarga por 3 vezes ou dar um chutão no vaso. Sorte a minha.
A verdade: A origem do mito é variada. MUITO variada. Encontrei diversas versões, mas uma que desconhecia, relata que a lenda surgiu na redação do Notícias Populares. O jornal corria risco de fechar, então para vender mais, em 1966 saiu uma manchete que dizia “Loira Fantasma Aparece Em Banheiro de Escola”. Decidiram inventar uma história e pronto, fácil assim foi ela publicada. O povo, burro como é, comprou vários exemplares, o jornal vendeu às pencas, as pessoas começaram a dizer que realmente já tinham visto a tal loira e assim até hoje o mito continua. Quem quiser baixar a matéria é só clicar aqui — e aproveitar a maravilha que os HDs virtuais oferecem.
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Manga com leite, a combinação mortal
Dizem por aí, até hoje por sinal, que a combinação de manga e leite é caixão na certa. É como pólvora e fogo. Juntou os dois, FUDEU.
O mito afirma que se a pessoa comer uma manga e em seguida beber o suco produzido pelas glândulas mamarias de fêmeas dos mamíferos, o indivíduo irá sentir dores terríveis e passar mal, podendo até morrer. MORRER. Seria pior do que devorar um pacote de Mentos e mandar ver num litro de Coca-cola. Cê EXPLODE, mano. Já me disseram que combinar manga, leite e plantar bananeira era overdose na certa.
Sempre custei a crer nisso. Mas parece que NINGUÉM tem coragem consumir essa merda.
Fazendo uma pesquisa, descobri que também foram espalhados boatos que afirmavam que não só a manga, mas outras frutas como abacaxi, goiaba, até JACA, adicionados numa combinação láctea, também produziriam uma combinação fatal.
A verdade: na época da escravidão os Darth Vaders senhores de engenho, estavam preocupados com o consumo de leite por parte dos escravos. Consumindo menos, podia-se vender mais e assim manter concretizado um dos objetivos do capitalismo. Como uma das sobremesas prediletas dos escravos, depois comerem aquele feijoada de orelha de porco, era manga com leite, os senhores começaram a espalhar o boato que ingerir a fruta e o laticínio juntos, poderia causar a morte. E é por isso que até hoje tem gente que acredita nisso. E digo mais, puta merda.
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Sandálias mata mãe
Explico essa crença contando uma historinha.
Na mesma época da desilusão com o brinquedo d’O Rei Leão, parecia que minha mãe tinha resolvido contar toda bagagem de crendices dela — passadas pela minha adorada avó — para a minha pessoa.
Num dia qualquer, lembro que estava chegando da rua, de algum canto que não me lembro, quando pratico o ato de descalçar os pés fazendo um movimento similar a um espacate do Van Damme. As sandálias antes calçadas, agora estavam planando no ar, e ao serem atingidas pela gravidade, caem com a sola para cima. Vendo isso, minha mãe enche os pulmões de ar, e em seguida manda a bronca.
– Coloque esse chinelo para cima, menino! Chinelo de cabeça para baixo, dá azar e mata a mãe!
Sem saber que tal coisa acontecia, tratei de desvirar o calçado e acreditava ter salvo a vida da minha progenitora. Mas fiquei num medo desgraçado, porque agora estava sabendo que se minha mãe morresse subitamente a culpa poderia ser MINHA.
Passei anos acreditando nessa bizarrice.
E não só eu, pois ao ir à escola e perguntar para os coleguinhas de classe se eles deixavam suas sandálias viradas com a sola para cima, ouvi frases como “Cê é doido” e “Minha mãe disse para não deixar”. A epidemia dos boatos da sandália assassina estava feita.
Sempre fui muito racional e custava acreditar nessa hipótese. Fiz então uma experiência: era um domingo quando decidi assistir TV ao lado da minha mãe e deixar um chinelo virado perto do sofá. Se ela começasse a sentir falta de ar ou fechasse os olhos por mais de 6 segundos, eu desvirava o calçado a tempo, ela continuava viva, e eu confirmava a veracidade da lenda. Pois bem, fiz o teste. Assisti TV com minha mãe enquanto o chinelo estava virado para baixo, e tudo que consegui concluir foi que Faustão era entediante feito o diabo.
A verdade: Antigamente diziam essa lenda para que as crianças não deixassem os sapatos virados, pois além de bagunçar a casa, eles se sujariam e estragariam. Era um modo genial de educar os filhos. Genial e extremamente desumano para a cabeça de uma criança, mas definitivamente bato palmas.
Como o tempo se passou, o sapato foi substituído por um mundo mais abrangente de protetores de pés, mas o mito se consolidava.
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Fofão, o primo do Chucky
Esse eu também presenciei. Foi foda.
Pra quem não sabe (?), o Fofão era um personagem infantil de muito sucesso que participava do programa de TV Balão Mágico. Com a alegria que fazia aos pequeninos, chegou a ter seu próprio programa e tal, mas isso não interessa. O que interessa é que bonecos dele foram feitos e junto com isso, também surgiu uma lenda: O boneco do Fofão era primo próximo do Chucky, o Brinquedo Assassino.
O povo falava — principalmente as MÃES — que o boneco trazia dentro de si um punhal, uma faca, uma espada, qualquer outra coisa permitia uma perfuração ideal para se conseguir bastante SANGUE. Durante a noite, o boneco tirava a faca de seu interior e fazia dobradinha com o seu dono. Falaram até que o criador do fofão tinha feito um pacto com o Diabo. Os boatos se espalharam para todo o país e fez bilhões de pessoas jogarem fora ou retalharem seus Fofões na busca pelo punhal malígno.
A parte que presenciei foi quando quase todas as mães da vizinhança pegaram os bonecos de suas crias, foram num terreno baldio e fizeram um mini incêndio, usando justamente os Fofões como o material da queima. Eu era muito novo, mas lembro da cara das mães que passavam na porta de minha casa, segurando os brinquedos e dizendo “Queima, queima logo esse produto do Tinhoso!”. Nunca vou esquecer essa porra. Foi EXTREMAMENTE BIZARRO.
A verdade: Pra falar a verdade, não sei quem inventou esse boato. Com certeza algum filho da puta que que odiava o Fofão. Mas eu até hoje eu não entendo como as mães daquela época, mulheres na casa dos 30 a 40 anos (pelo menos as da minha rua), ACREDITAVAM nesse mito e destruíam os brinquedos. Fala sério.
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A do chinelo e do fofão já fizeram parte da minha vida também.
Mas o boneco só fizeram jogar fora, nem vi nada… =/
Véio, o do manga com leite eu não sabia o porque dessa porra! Senhores coloniais miseraveis!
Muito bom, lembrar dessas bizarrices que se aprende novo.
Minha vó dizia também que não contar estrelas apontando pro céu senao nasciam verrugas cabulosas.. será que procede?
Essa se não sentar até esfriar é ridícula ehaeaho.
Tirando as do chinelo para baixo nunca ouvi nada disso na minha infância, as outras fiquei sabento depois de grande, ou hoje, como a do assento do buzão hahaha.
Se você fosse mulher teria ouvido a pérola mais patética da história: lavar a cabeça menstruada deixa a mulher louca.
Supostamente eu devia tomar injeções de Haldol semanais e Gardenal diariamente.
Pô, beeanka, fiquei sabendo dessa da mentruação do mal, e me disseram altas coisas: que desde ficar louca, a pessoa podia perder a chance de ter filhos ou mesmo batia as botas de vez. O_O
Eu seeeempre fui medrosa. Odiava imaginar essa loira sangrando pelos buracos(nariz, ouvido) e cheia de algodão tapando. Era essa a imagem que eu fazia. Nessa época a menina que trabalhava lá em casa tinha que ficar comigo no banheiro enquanto eu tomava banho, a coitada ficava lá no vaso sentada.
kkkkkkkkkkkkkkkkkk ![]()
Caralho, muito bom o post Jovas, parabens, nota 10!
mt bom jovaldinho…
realmente essas historias me acompanham ate hj…
mas n vou mentir q ainda tenho medo da loira =X…
=*******
Mais do links (in)úteis que vocÊ já deve conhecer:
http://www.pointlesssites.com
http://www.2minutegames.com
(:
@Piteco
Pior que não conhecia. Vou conferir, fio.
Valeu. =)
Jovas, essa dos mitos foi ótima! Aqui no Maranhão é igual…esse link abaixo lança uma luz sobre o assunto:
http://situacoesinusitadas.blogspot.com/2005/09/bertim-o-caador-de-mitos_22.html
haishuiahuishauhushia
Comenta, diacho!