Dia desses comprei um joystick para usar no PS2. Bem, o objetivo principal era esse, porém como ele não é um mero controle convencional, mas na verdade um CONTROLE JOYSTICK PC PS2 NOTEBOOK PLAYSTATION USB EM BH NF (descrição do cara do Mercado Livre) resolvi então usá-lo também para jogos no computador. Mas para jogos fodões, desses que valem a pena passar horas em frente ao monitor com os olhos a ponto de saltar das órbitas devido ao acumulo excessivo de adrenalina no sangue. Para isso baixei um emulador de SNES.

Esquadrão Marte, rules!
Ter a chance de jogar velhos joguinhos como Donkey Kong Country, Street Fighter II - The World Warrior e Biker Mace From Mars (o da foto) relembrando o método clássico, é uma beleza. Até os piratões como Campeonato Brasileiro 96 dão gosto de rever. Bem, nem tanto, os games de futebol daquela época não merecem muito destaque, mas vale pelo menos para ouvir novamente o narrador mexicano (?) gritando “Saio a bôla” quando lateral, “Oê, é penalty!” no penalti, “Adiantaaado” nos impedimentos e o não menos importante “Viva SENNAAAA”, gritado sabe-se lá por quê.
Hoje em dia acho meio chato o fato de as crianças já começarem a ter um primeiro vídeo-game como um PS3, Wii ou Xbox 360. Porra, eu fico com inveja. Além do mais, acredito que eles não vão passar pela sensação de notar a absurda evolução dos gráficos, da jogabilidade e dos efeitos sonoros, que atualmente deixam pirado qualquer cara que começou no mundo dos games nos anos 90. Cara, quando eu vi um personagem de um jogo mexendo a boca para falar… MEXENDO A BOCA! Putz, era bater a cabeça na parede por causa de tal avanço.
A molecada atual já tá começando no ápice (ou não) e não sei se vão ter a mesma empolgação que via em amigos, que produziam em diálogos da escola frases como“Véi, o Smoke tem um Fatality que destrói o mundo, doido! O MUNDO! Sério, consegui fazer na doida uma vez!”.
Bons tempos. Até hoje lembro do dia em que ainda era noob e ganhei meu primeiro console…
***
O início da fase nerd-gamer
Eu devia ter uns 7 anos quando ganhei do meu pai uma das maiores maravilhas da tecnologia da época: um Super Nintendo. Vale ressaltar que essa concepção foi obtida apenas depois, porque um pequeno detalhe me impedia de saber o que era aquele acinzentado trambolhinho: eu nunca tinha jogado vídeo-game na vida. Pois é. Me lembro que a primeira coisa que pensei quando o vi foi “Que porra é essa?”. Não com esse vocabulário, mas o fato é que não tinha idéia do que era aquilo.

Super Nitendo?
Tal demonstração de ignorância é de se espantar hoje em dia. Afinal, o velho console carcomido de 16 bits vendeu mais de 50 trilhões de unidades e fez o Mário ser reverenciado como Deus em diversas religiões que surgiram após o aparecimento de seus joguinhos. Mas pra mim era tudo novidade.
No dia que fui presenteado, meu pai chegou em casa com uma caixa gigante debaixo do braço, completamente sem avisar que ia comprar aquilo, em seguida desembrulhou tudo, ajeitou os cabos, plugou os controles, colocando a fita que vinha junto com o console (Super Mario World) na sua posição para jogo, e “levantando” o botão do POWER, ouvi pela 1ª vez a musiquinha do game começando. O pontapé inicial para a formação da minha vida nerd estava começando.
Achando os gráficos com uma bela a harmonia e combinação de cores, trilha sonora empolgante e ficar estupefato por descobrir que apertando o botão de pulo, o Mário PULAVA, enlouqueci em frente a TV. Joguei durante umas 2 horas, sem piscar os olhos e devorando uns 18 pacotes de Cheetos. Tudo ia bem, até que meu irmão quis jogar comigo. Ok, já que o console trazia dois joysticks era certo que dava pra jogar o Super Mario em dupla. Quando tentamos fazer isso, a percepção de um problema: nós dois podíamos jogar, um com o Mário, o outro com Luigi, porém em intervalos diferentes. Cada um por vez. Porra, como não dava pra jogar ao mesmo tempo? Ao perceber isso fizemos uma das maiores idiotices que garotos que viveram nos anos 90 poderiam fazer: no mesmo dia decidimos que aquele jogo não era bom e queríamos trocá-lo.
Meu pai, sem perceber que nitidamente não estávamos em sã consciência, nos levou até uma locadora, cujo dono era um conhecido seu, com a esperança de assim falar com o cara e quem sabe conseguíssemos resolver o “problema”. O dono do estabelecimento, um tiozão que pesava aparentemente uns 860 Kg e trajava uma camiseta que mostrava que o tio tinha mais pelos nas costas que quantidade de cabelos na cabeça. Ele disse que a gente poderia testar alguns jogos do estoque dele — estoque esse que era guardado em uma caixa de sapatos — e quando achássemos alguma fita boa (entenda, para pequenos garotos que nunca tinham jogado vídeo-game na vida, “bom” poderia tranquilamente ser um Pong em preto-e-branco), era só fazer a troca pela clássica do Super Mario World. Olha a merda…
Testamos algumas, visando sempre um jogo com o modo 2 players habilitado, e depois de uma meia-hora de testes, sentenciamos o game escolhido: Shaq Fu. Basicamente Shaq Fu era um jogo de luta que tinha como protagonista principal o jogador de basquete e Aço da DC, Shaquille O’Neal. O objetivo básico do game era vencer as lutas contra inimigos como o Mumm-Ra e o Carnificina, como pode vê-los aqui, e… só isso mesmo. Era uma merda, mas o lado bom é que podíamos jogar juntos. Conclusão? Trocamos o jogo do Mário, um dos maiores clássicos do Super Nintendo, quiçá o maior clássico de todos os tempos, por uma fita pirata de um jogo em que um jogador de basquete lutava kung fu.

Nada a declarar
Depois de jogar até os dedos fazerem bolhas, literalmente (era ruim, mas estávamos empolgados), enjoamos da bagaça e percebemos que a troca tinha sido uma merda. Queríamos o jogo do encanador de volta. Pedimos ao meu pai para irmos lá na toca do tiozão e pegarmos a fita de volta, mas tudo que ele falava é que não dava e estávamos fudidos. De novo, não exatamente com essas palavras, mas era o que ele demonstrava.
Jogamos o game mais uma vez, numa tentativa de talvez achar que controlar o Shaquille O’Neal lutando contra o Aladin (também tinha esse), não era algo tão ruim. Vou te falar, fiz uma auto lavagem cerebral pra colocar na cabeça que aquele único jogo que possuia, era um bom jogo e que poderia me propor diversão infinita, mas não deu. Tivemos, então, a primeira decisão sensata desde que havíamos ganho o console, precisávamos de jogos melhores.
Fiz meu pai nos levar a diversas locadoras da cidade, para endividá-lo até querer nos abandonar em frente ao primeiro fliperama que visse. Mas, depois de muito encher o saco paterno, enfim conseguimos alugar jogos novos. Acho que aluguei uns 20 jogos em um dia só. Todos para 2 players. A partir daí quase TODOS os finais de semana num período de alguns anos seriam dedicados à visitação de locadoras em busca de bons jogos, principalmente os de opção multiplayer habilitada.
O tempo passou, zerei vários games, assoprei tantas fitas que obtive fôlego suficiente para passar 11 minutos debaixo d’água sem respirar e praticamente me tornei um mestre do SNES. Tudo ocorria normal, até o dia em que fiquei sabendo de outro console quando tava em uma locadora. Ouvi um moleque falando pra irmãzinha que jogava Top Gear “Fulana, vamos embora, eu quero jogar Playstation…”. Mas aí já é outra história.
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16 comentários em “Lembra do seu primeiro vídeo-game?”







Te considero um sortudo; meu primeiro video game foi um Phantom System (clone brasileiro do NES) e depois anos de esperneio, horas de Super Mario Bros (nem 2, nem 3, o 1 mesmo), Tetris (meu velho adorava) e melhoras das notas ganhei um SNES. Com o auto sustento adquirido, agora que posso comprar um NextGen (em 3 meses, SE E SOMENTE SE deixar de pagar as contas e comer), digievolui e larguei da vida de gamer
Cara, eu tinha Shaq Fu! Nunca consegui zerar por que o Shaq era simplesmente o pior jogador e só se zerava no modo history
Mas eu também tinha Biker Mice From Mars em um 5 em 1 mamravilhoso e afirmo com letras maiúsiculas que é o MELHOR JOGO PRA SNES QUE EU JÁ JOGUEI!!!
Cara, rock and roll rolando e motos velozes atirando umas nas outras é a perfeição!! Rock and Roll racing era fichinha perto desse.
Bom lembrar disso…
Abraço!
@robson
É assim mesmo. Tô querendo comprar um PS3, mas eles não dividem pra 48x. =(
Juntar mais um $ e economizar na cerveja. =((
@Diego
Véio, concordo completamente. Biker Mace From Mars é FODA. E aquele maluco que transforma você em um monstrinho ajudante dele que tem um braço de polvo e é baixinho, é um FDP máximo.
7 anos ganhando SNES???? Pô… para de choramingar… aos 7 anos eu tinha que lidar com “Bobby’s Going Home”, Enduro e outros sensacionais jogos no Atari.
Hoje, porém, posso me dar ao luxo de ir para casa e jogar um GTA4 no PS3.
DÁ-LHE GRÊMIO!!!
Mas Guillerminho, eu reclamei por trocar a fita, e não por ter ganho o SNES aos 7 anos. =P
Hauahauhauahaahheehehe
Muito bomm!
sou sua fã viu?
..relamente ta pra existirjogo melhor q o super mario:P
=*****
Muito bom o post..!
fiz um parecido há alguns dias.. passa lá pra ver xD
http://nerdepobre.blogspot.com/2008/05/o-sonho-de-ter-um-console.html
p.s. só abre em firefox ^^”
Saudade do meu atari 2600, quantos controles quebrados jogando decathlon…
Eu sou ainda mais old-school. Videogame era sinônimo de horas à frente de Seaquest e Frostbite. Não tem mais graça esses videogames de hoje, perdeu a magia dos quadradinhos saltitantes. River Raid ainda é melhor jogo de tiro que existe.
Sobrevivi por um tempo a era RPG-NES/SNES mas depois do Playstation sinceramente não tive mais saco. Só acho interessante o trabalho de recriar cidades que a Rockstar faz atualmente, algo bacana de se ver. Eu jogo GTA no PC uso cheat de 100% só pra ficar passeando a cidade e admirando os detalhes minimalistas que os caras colocam. Pretendo dar um UP no PC assim que GTAIV sair só pra fazer o mesmo. Acho interessante essa recriação da realidade em cidades abertas. Mas meu fui jogar Resident Evil 4 na casa do meu irmão/sobrinho e não tive saco.
[...] disse que troquei minha fita clássica do Mario pela esplêndida do Shaq-Fu. O que não falei foi que tal decisão foi um dos fatores base para fazer eu nunca ter zerado o [...]
Caramba, eu tô muito velha, eu sou do tempo de jogar os caça fantasmas no ATARI….
Pelo amor de Deus! Meu primeiro video game foi um Atari com 7 anos!!! No início era complicado, pois como tinho irmãos mais velhos, eles sempre me enganavam me dando o controle que não estava funcionado. (Naquele tempo uma criança de sete anos acreditava nisto).
Com 11 anos virei a noite jogando boxe e smurf´s. Que gráficos!!!
Quando ganhei meu Mega-Drive com 14, fiquei sem durmir quase uma semana por causa de Sonic! (Esse até hoje é legal).
Com 16 o SNES me fazia pausar para ver a calcinha da Chun-li quando dava um chute! hahahahahah
Hoje não jogo mais console, apenas PC!
Desta forma não tenho que ficar quase morrendo para comprar um PS1, PS2, PS3….
Até
PS: Consegui abrir todos os caminhos de Mario!!!
hahahhaha
Ah qual é…tenho (só) 27 anos e meu primeiro videogame foi um Atari 2600. Cara, nada como Pac Man, River Raid e Enduro…
mas essa é outra história…
huahuahua!!
bom post!