Às vezes o dia da ressaca é melhor
Antes de mais nada quero justificar a não publicação da coluna post na semana passada. Foram recebidos milhares de emails, abaixo-assinados e fotos batidas de seios desnudos com dizeres como “Jovas, kd as istória?/” escritos em tinta guache.
Se sua pessoa acompanha o blog desde o início, que não faz muito tempo, já sabe que diferentemente de VOCÊ, eu estudo E trabalho. Apenas no final do dia, é que me sobra tempo pra colocar algo no blog. Tempo esse que seria para jogar Black ou… É, basicamente isso. Então, geralmente ao escrever, na verdade estou tirando o tempo que deveria ser gasto em metralhar noobs e explodir carros tanque, para passar informações e alegria para vocês. Porém, quando aparecem algumas tarefas extras — leia-se trilhões de trabalhos da faculdade que preciso fazer, mas que desconhecia suas existências devido a algumas faltas em certas matérias —, a coisa complica.
Em suma, quando não dá pra publicar nada, é porque a situação realmente não favorece.
E chega de enrolação, vamos começar à bagaça.
***
Nesse feriado que passou, tirei os dias para ter uma boa reflexão sobre a vida e analisar as experiências passadas e dádivas adquiridas. Notei uma coisa que me deixou pensativo: já faz um certo tempo que não fico bêbado. Mal lembro a última vez que isso aconteceu. E isso é uma pena. Sendo assim, para relembrar bons tempos, vamos a primeira de muitas: História de bêbado.

E viraaaaaaando!
Sabe quando você tá dando aquele maior cochilo e um amigo seu te liga dizendo “Cara, vai rolar uma formatura de Medicina DAQUI A POUCO e tô com um convite sobrando. Tá a fim de ir” ? Não? Mas aconteceu comigo.
Como era um sábado que eu não tinha absolutamente NADA pra fazer, mesmo acordando sem ter idéia de que horas eram, não perdi tempo e coloquei a camisa social que só uso para casamentos, passei aquele perfume caro e me preparei para a festa.
Gosto de formaturas porque as chances de comer até o maxilar perder a sensibilidade e beber equivalente a um camelo com sede, são grandes. E o melhor, DE GRAÇA. Porém, o intuito de ir a essa era apenas sair de casa e curtir um pouco. Nada de extrapolar. Mas acho que nesse dia o espírito do Murphy tava a fim de aprontar e certas coisas não saíram como planejado.
Ao chegar no evento, encontrei meu amigo e sua namorada já sentados na mesa dos convidados. Na mesma mesa havia também umas meninas que eu não conhecia, mas de qualidade razoável. Falarei (bem) brevemente de uma delas mais a frente.
A festa ia seguindo, MUITA gente pelo local, todo mundo bastante arrumado, bebendo, dançando, aquela coisa. Meu amigo propõe então começarmos a beber. Antes mesmo de ele terminar a frase, eu já estava segurando um copo de cerveja na mão e devorando um salgadinho de nome gay chique.
Tudo estava indo muito bem, até que no meio da festa as coisas começaram a desandar…
O garçom, que antes fazia o serviço normal, começou a trazer as bebidas para mesa num ritmo um pouco mais demorado. Parecia que o miserável fazia questão de esperar eu terminar o copo de cerveja e só retornar meia hora depois. Para suprir a falta do néctar nos intervalos de tempo, meu amigo e eu bolamos a fabulosa estratégia de, na hora que o garçom passasse, pegarmos 4 copos em vez de 2. E aí que começou a merda. Com meu amigo bebendo num ritmo lento e eu possuindo o pensamento de aproveitar o máximo de cerveja de graça possível, ao ver mais dois copos extra esperando para serem bebidos, não fiz outra coisa, acabava com um e partia para os demais. Numa certa hora da noite, a velocidade de ingestão do líquido era 3 vezes superior a normal. Ignorando as leis da física e o manual de como não fazer merda, fiquei bebaço.

Maluco tentando aparecer no Google Earth
Exatamente nessa parte há um branco das coisas que aconteceram e não lembro de NADA. No dia seguinte fiquei sabendo de certas coisas, como a parte em que eu havia ficado com uma das meninas de qualidade razoável que estava na mesa. Não lembro de jeito nenhum. Acontece. Não fiquei sabendo qual foi, mas espero que pelo menos tenha sido com a menos baranga. Também não sei quanto mais bebi, mas sei que não foi só cerveja. Enfim, do meio da festa para o final, foi tudo tomado pela amnésia.
Já a parte que me lembro é de a formatura estar terminando, meu amigo me oferecer carona pra casa e eu recusar. O cara foi embora e eu acabei ficando lá, sem carona, sem dinheiro e conversando com a moça que naquela hora já varria o chão.
Sendo um dos últimos a sair, não sei por que diabos não liguei para alguém me buscar ou pra um táxi, mas ao invés disso resolvi voltar para casa a pé. Vale lembrar que a distância entre o espaço de evento da festa e o QG é de uns bons quilômetros. Vejamos abaixo o caminho que tive a genial idéia de percorrer usando sapatos completamente desfavoráveis ao caminhar de longas distâncias:
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Depois de caminhar um bom tempo, já era umas 5 da manhã quando chego na parte do Afeganistão. Não aquele do Bin Laden, o Afeganistão que falo é a unidade populacional que se encontra entre o meu bairro e o da festa. Mais precisamente AQUI. Lá é pior que um Vietnã recheado de TNT e 200 Schwarzeneggers enlouquecidos e sedentos por sangue. Só pra você ter uma idéia, uma vez meu irmão me falou que tava voltando pra casa de ônibus e ao passar por lá, ele viu uma pedra do tamanho de um tijolo vindo em direção a janela do busão. DO NADA. Por lá é assim. Os pivetes jogam pedras nos ônibus por esporte. E eu ia passar por ali. A PÉ.
Chegando à avenida que corta o bairro, pensei “Cara, tô todo bem vestido, se passar assim por essa porra, vão me roubar tanto que saio pelado. Tenho que parecer maloqueiro”, e então tirei a camisa e a amarrei na cabeça. A intenção era parecer o mais marginal e/ou louco possível. O único bem material que carregava comigo, fora as roupas, era o celular. Tirei-o do bolso e coloquei numa das meias. Pronto, estava preparado para o pior.
Na metade do caminho, passa por mim um carro da polícia e pára a uns 30 metros. O policial desce do carro, olha pra mim e pega o cassetete. Naquele ponto da avenida a rua estava completamente deserta, só havia minha pessoa indo em direção a um agente da lei aparentemente mal intencionado e com uma arma que se bem usada pode oferecer dores que nenhum ser vivo gostaria de ter. O que cê acha que pensei na hora?

photo credit: Kevin N. Murphy
FU-DEU
Cada vez que chegava mais perto do policial, a vontade de dar meia volta e sair correndo aumentava, mas não dava. Antes umas porradas que um tiro.
Quando já estava mais perto ainda, o policial olha pra mim, sorri com uma cara de sacana, pega o cassetete, bate no pneu e fala numa altura nitidamente proposital para que eu ouvisse “É, pensei que tava furado, mas tá normal”. Em seguida entra no carro e vai embora. O filho da puta tinha feito toda aquela cena para me dar medo.
Puto, mas contente por voltar pra casa com os dentes na boca, na saída do Afeganistão um velho que tava numa entoca aparece na minha frente e pergunta se eu tinha algo para “passar pra ele”. Respondo que não tinha nada e o cara rapidamente põe a mão no meu bolso, não acha nada e sai correndo. Pois é, eu tava tão ruim que nem fiz nada.
Continuo andando e zero o estágio afegão. Finalmente havia chegado ao meu bairro. Coloco a camisa e sigo em direção a uma rua qualquer. Incrivelmente entro em um conjunto de ruas em que estava rolando uma FEIRA. Numa das cenas mais surreais da minha vida, lá estou eu, andando com roupa social, semi-bêbado, numa feira. Morto de fome, pego amostras grátis de frutas em várias das barraquinhas e sigo para casa com muita gente me olhando sem entender por que um cara estava naquele pandemoniô com roupas que certamente na concepção deles deveriam ser um short daqueles abertos no lado e camisa com foto de vereador.
Depois de sei lá quanto tempo, chego ao QG. Meu irmão já estava acordado e logo ao me ver pergunta onde estava meu celular. Sem lembrar que o havia colocado na meia e percebendo que o aparelho não estava no bolso, pensei que o velhinho morlock tinha conseguido me roubar. Enquanto xingava dez palavrões por segundo, meu irmão liga para meu o número e o aparelho começa a tocar. Dessa parte não lembro, mas ele disse que naturalmente eu o tirei da meia, atendi, falei “É pra você”, passei pra ele e fui dormir.
É, não dá pra só beber, deixar o estômago vazio e dispensar os salgadinhos gays chiques.
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17 comentários em “Às vezes o dia da ressaca é melhor”









Hauahahuauhauahuahua
Mt FODA!
E esse policial? FDP máximo O_O
Confesso que tava achando a história super normal, até o parágrafo final. O celular toca na meia, você atende e fala que é pro seu irmão?
Fantástico, rapaz.
@Gabi
Foi o que ele disse que eu fiz.
Mas duvido.
Pior é voltar para casa e confundir banheiro com armário e tentar puxar a descarga no cabide das gravatas. Nunca funcionou para mim.
Sempre ficou cheiro.
@Bender
Parecidamente já confundi a estante da sala com a privada do banheiro.
Mas como não lembro e no outro dia não vi — disseram que limparam — acho que também não aconteceu.
Cara, ri demais com esa história!
heauhehauheuhaeuhauheuahehaeuha
A parte da feira foi excelente!
Já favoritei o blog :]
hauahuahuahuhauahua
raxei o bico!!!
hauhauaha
o amigo dos convites foi eu!
huahiauhiuah
vc esqueceu q entre as cervas demoradas a gnt passava nas barracas de capeta q tinham na festa!
e a mina q vc pegou foi a mais feia pode ter certeza
uhaiuhaiuhauhauhaiahi
muita massa essa festa!
mijei de rir relembrando!
[...] ir a uma festa, ficar bebaço, decidir voltar pra casa a pé e parar numa feira. Bem, isso eu já fiz, mas quero repetir, pois quanto mais velho fico, menor a chance de conseguir fazer de [...]
Cara, esse blog eh foda
e nem ta tao movimentado os comentários =O
mano, ri de mais
parabens ai
@ Charles deadfish
Valeu, Charles!
Sua alegria é nossa satisfação salarial. =D
EUhuhUEHuEH
boaa boaa
matar a laras na feira rola dimaais
meninoooooooooooooo…vc é mtoo lokoo…kkkkkkkkkkkkkkk…adoroo suas historias..quando crescer qro ser igual vc! huhuhuh ^^
Cara sem comentar que ficar bebado muito irado neah , imagina só ficar bebado longe de casa é muito massa eu quem diga ” quando eu necessitei aqui nem tinha isso . aushuhuashu
Seria bom você ter usado o poder de TELETRANSPORTE uashuashusahuash !
Cada viado com suas histórias cabulosas! kkkk