Sempre gostei de tecnologia. E quanto mais as coisas vão evoluindo e aparecendo, mais eu fico abismado. Por exemplo, na época em que os celulares estavam começando a ser fabricados com câmeras embutidas, quando soube da notícia fiquei lôco. Cara, um celular que bate foto? Veja bem, leia comigo, ce-lu-lar que bate FOTO? Pirei. Era o auge do avanço tecnológico cabível na palma da mão. E se com o lançamento do telemóvel fotógráfico fiquei doido, imagina com o resto.
Jogar pela primeira vez num PS1 tendo a infância baseada no conhecimento avançado e único em SNES, saber que para conectar à internet era pela linha telefônica, testar um gravador de CD (na época que fiz isso DVDs nem existiam no mercado), descobrir o mouse óptico, saber da existência do wireless, testar o Bluetooh, enfim, todos as novidades que acompanhei foram mágicas. Fora avanços que não são digamos tão tecnológicos assim, mas de importância extrema para a humanidade, como cervejas que com uma simples batida, gelam sozinhas, por reações químicas do próprio néctar e USB que gelam qualquer bebida. Descobertas como essa me deixam cada vez mais com o pensamento “Carro voador modelo 2030, estarei te esperando!”.
Atualmente as coisas estão melhores ainda — vide um dos meus sonhos de consumo — mas ainda é lembrando de como conheci e testei os trecos, que fico realmente animado. Mas esse post não é para refletir em relação ao avanço tecnológico atual e em como tudo isso é impressionante. Não. Esse post é para falar das nocividades desse mal necessário que corrompeu toda a tradição que é viver como humanos originais, em que o máximo de avanço evolutivo em ferramentas seria fazer fogo utilizando varetas e pedaços de madeira seca, e o gadget mais potente era o couro de um javali utilizado para fazer sinais de fumaça.
A tecnologia é praticamente uma droga. Se você não a usa, fica dependente. Percebi isso baseado em fatos reais dos últimos dias.
Durante o final de semana — mais precisamente no domingo –, passei o dia na casa da patroa. Lá, além de haver a muié, a cunhada rebelde e uma poodle que pensa que é macho (explicarei no fim do post*), encontram-se 2 notebooks e uma rede wireless que me permite de vez em quando postar até da varanda do apê. Numa certa hora do dia, depois de a cachorra ter tentado me comer, aproveito o conforto do wi-fi e escolho algum canto da casa para usar um dos notebooks e conectar-me a internet. Enquanto isso a mulé assiste alguma das 28 temporadas de Sex and the City que ela tem. Impressionante.
Ao tentar ler meus feeds, noto um pequenino problema: a internet não funcionava. Fazendo alguns testes descobri que o login e password do provedor para conectar à Velox não estavam funcionando. Tentei então colocar os meus login e senha, mas pra isso tinha que modificar algo na configuração do modem. Aparentemente, o conjunto modem + roteador faziam uma rede de conexão alien que um leigo nesse assunto como eu não saberia mexer. Tentei, tentei e nada. Culpa do Gordão.
OBS: Gordão era um técnico de informática de fundo de quintal que fez a rede wi-fi e toda configuração da internet da patroa. Pra você ver como ele era um bom profissional da área, desistiu da carreira para se tornar um pastor missionário convertido. Sério. Que beleza, né?
Ele fez uma gambiarra tão zoada na rede , que nem com milhares de tutoriais que encontrei na internet, consegui alguma alteração. Sendo assim eu não tinha como entrar na configuração do modem e roteador, a não ser que desse um reset geral na bagaça. Achei melhor deixar isso pra quem sabia e resolvi esperar a ajuda que viria no dia seguinte. Na segunda um amigo que hackeia até celular pra fazer ligação gratuita via satélite da NASA viria dar uma olhada. Balanço geral do dia? Ficar sem internet durante todo o domingo.

NOOOOOOOOOOOO!
Foi aí que percebi como a tecnologia deixa a pessoa dependente dela. Sem poder usar a internet, fiquei como um maluco viciado em hentais que tenta comprar alguma revistinha de gráficos para maiores de 18 através do mercado negro e não consegue. Aquilo não era de suma importância, mas era preciso. Não que eu não conseguisse ficar sem internet por um minuto, mas naquela hora, naquele domingão, ela era necessária. Ou era aquilo ou Faustão. Me compreende agora?
A 1ª dama também mostrava traços da dependência. Estava ansiosa, andava de um lado ao outro do apartamento, falava que não sabia como passaria a madrugada sem olhar o orkut. Cogitou até em ir numa lan house para isso. O caso de abstinência dela era grave.
Mas fazer o quê, o jeito era esperar meu amigo aparecer no dia seguinte e tentar resolver o problema.
Na segunda-feira (ontem), ainda sem internet na casa, meu amigo aparece lá pelas 15h. Detalhe importante: às 14:50h falta eletricidade no prédio(!). Outra coisa que a pessoa fica dependente. Precisamente às 15:10h estávamos no apartamento eu, a mulé e meu amigo esperando a energia voltar, para assim poder ligar o computador e então ajeitar a internet, para finalmente ficarmos sossegados e seguir com a vida. Enquanto isso nos víamos numa situação diferente; passar uma tarde inteira sem ligar uma luz, ver TV ou ouvir música alguma do Créu ser tocada por nenhum dos moradores do condômino. Mesmo sendo uma situação que todos já passamos — que é a de ficar sem eletricidade por umas horas –, a sensação era estranha, desconfortável. A energia só voltou lá pras 18h e tranquilamente meu amigo desfez o trabalho miserável do Gordão.
Com a eletricidade e a internet funcionando, tudo tinha então voltado ao normal. E a definição de “normal” nesse caso é que é preocupante, pois é aí que vemos quão dependente somos de certas coisas que há algumas décadas não existiam e que atualmente sem elas parece nós somos capazes de não existir.
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* Breve explicação do caso Poodle Hermafrodita:
Não tem explicação. Ela é uma poodle fêmea que quando vê uma perna, agarra e faz movimentos repetitivos e sincronizados pra frente e pra trás, numa alusão a oscilação ancestral que todos os machos vivos possuem. Nunca vi isso.
Veja com seus próprios zolhos:

Vai entender.
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Passei o feriado sem internet. Não foi fácil, mas a paisagem compensava.Nos momentos de pânico, abraçava uma árvore pra relaxar…
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Um domingo sem internet é um fato precipitado para assumir que a tecnologia é uma droga que causa dependência.
Isso é mais um problema de quem não tem mais o que fazer ou tem pessoas a menos para conversar. Ou seja, esse vício de tecnologia e afins só aflige aqueles que tem uma vida com horas de mais… que acha divertido passar a noite e o dia inteiro no computador. E Não vice-versa. Quem tem amigos, atividades saudáveis e principalmente idéias úteis na cabeça não vai perder seu tempo e sua vida se consumindo na rede. Mas vai se beneficiar dela de maneira justa.
A vida é maior do que “ver notícias do RSS e “checar scraps no orkut”. Mas isso é só pra quem quer.
abs,
Carlo.
Carlo, profundo isso.
Já que você é um cara que tem vários amigos, pode então apresentar alguns pra mim? Pela sua análise, tô precisando, né?
Mas bom saber também que consegui um leitor do seu nível, que sabe como viver a vida e é esperto o bastante para reconhecer quando um texto deve ou não ser levado a sério.
Uma dica: na próxima vez que pensar em voltar aqui ao blog, opte por assistir algum vídeo do BBB pelo youtube. Acho que é mais o seu perfil. =)
Muito bom o seu blog. Essa sua maneira de escrever, é muito gostosa de ler!! Parabéns! Estarei sempre por aqui, lendo-o!
Cara, certíssimo, pior que é assim mesmo! Quando fico sem celular parece que tô sem algo, tá faltando algo. É uma sensação de “estranho”. Mundo moderno duma figa! :]
E esse Carlo? Vamo brincar de ser burro, mas não vamo levar ao pé da letra…
Não só o texto, mas todo blog não é para ser levado a sério. Mas isso também não é problema. Não entendi o negócio do video do BBB.
Mesmo assim achei bom seu comentário sobre o meu comentário…. a maioria dos blogueiros me xinga e me manda à m… (como o comentário do Paulo aí) só porque recebem um post negativo.. vc não fez isso… pô, o pessoal tem que entender que é normal existir críticas… Espero não ter ofendido ninguém.
té.
LOL?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Acho que nao estou no nivel intelectual para ler seu blog Jovas…Afinal eu tb me vejo consumido por horas de computador.
Deveria comprar um martelo koreano, tirar fotos, e metralhar minha universidade?
Carlo, tecnologia está em vários lugares ao seu redor:
1. Se você tem um carro, deve agradecer às evoluções tecnológicas por ele ter injeção eletrônica, ar-condicionado, travas elétricas, alarme, monitoramento via satélite e etc;
2. Se você usa telefone, deve agradecer aos comitês de pesquisa que sempre correram atrás para desenvolver meios de transmissão mais eficientes (fibra ótica);
3. Se você usa celular, agradeça à tecnologia por ele ainda não ser analógico;
4. Se você tem alguns CDs em casa, agradeça por não ter que comprar mais fitas e um tocador que troca de lado automaticamente;
5. Se você enviou estes comentários, agradeça. Alguns “dependentes” gastaram muito tempo fazendo com que uma máquina que só entende sinais 0 e 1 desempenhe tantas funções indispensáveis à nossa vida hoje.
Esses são apenas alguns pontos. Poderia fazer um post e mandar pro Jovas publicar só pra te responder. Antes de falar sobre “dependência da tecnologia” pense um pouco…
Comenta, diacho!