O dia que gostei de conhecer a ignorância

Data: 11 mar 2008
Escrito por Jovas
Categoria: Cotidiano
7 Comentários

Quando o Brasil foi descoberto, sabemos que os portugueses se encontraram com os índios e trocaram umas idéias. Durante esse contato houve também algumas trocas de muambas intercontinentais; nossos tupiniquins ficaram ensandecidos com os gadgets importados da terra dos Manoéis. Queriam até oferecer algumas horas de trabalho por uns simples espelhinhos de camelô. Os portugas acharam essa troca muito satisfatória, e assim há mais de 1500 anos eles então presenciaram o valor da ignorância alheia. Semana passada passei pelo mesmo.

Estava na fábrica jogando The Legend of Zelda: A Link to the Past e logo quando eu tava quase matando a centopéia de 8 vidas, um dos meus chefes me convoca para ajudar na digitação de uns documentos. Pausei o jogo e fui à mesa dele ajudar. “Como faz uma tabela?” - foi a primeira pergunta. Expliquei calmamente que indo no Word era possível fazer uma tabela do jeito que quisesse, bastava seguir o caminho dificílimo de ir na aba “Tabela”. Fiz uma de exemplo, ele me falou como queria que fosse desenhada, não demorei muito e acabei a missão. Tabelinha concluída, em seguida ele me pede pra copiar o que eu havia feito para um fluxograma de um outro documento. Tabela, ctrl+c, ctrl+v, fluxograma, tabela colada, terminei.

Meu chefe, percebendo que eu tinha um pouco mais de habilidade com o PC do que o estagiário-Britney-fan, aproveitou pra pedir preu pesquisar algo sobre imposto de renda. Entrei no site da Receita, ctrl+f e achei rapidamente o assunto que ele queria. Poucos segundos após fazer isso, escuto um:
- Mas você é um expert dos computadores, rapaz! Tá de parabéns! Nem sabia que você sabia mexer tanto assim nesse treco!

Prodigio

Young Padawan

Depois dessa apologia aos mesmos conhecimentos que qualquer garoto de 8 anos hoje em dia tem, o chefe pediu ao ouvinte da Britney que fosse em cada setor do prédio entregar os documentos finalizados. Geralmente dividiríamos o serviço, mas hoje não. Hoje as digitações e criação das papeladas ficariam pra mim. E o dia inteiro foi assim; eu digitando algumas poucas coisas, e o outro estagiário imprimindo e entregando tudo. Quase fiquei com pena de ver o rapaz de mau gosto indo pra lá e pra cá, toda hora. Quase.

Como pelo visto ninguém do setor sabe criar uma tabela com mais de 3 colunas (!) ou achar algo rapidamente num site, parece que me tornei importante. Agora não me pedem mais pra ir tirar xérox dois setores abaixo ou ir atrás de Cicrano. Parece que o melhor é eu ficar no setor pra fazer tabelas, de vez em quando jogando Zelda quando não tiver o que fazer. Achei isso uma beleza.

E a ignorância alheia que me ajudou, pois consegui esse pequeno conforto mesmo sem saber nada de muito essencial. Mesmo sem ter um gadget português.

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    7 comentários em “O dia que gostei de conhecer a ignorância”

    1. Jack disse:
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      Cara, ai se no meu trabalho fosse assim. Me mato de fazer programação lá no meu trampo e meu chefe nem me diz “muito bem” :(

    2. Márcio Faustino disse:
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      Em terra de cego quem tem 1 olho é rei rs…

      Outras pessoas da sua empresa devem saber fazer tabelas e procurar assuntos na internet. Você só teve a sorte de ser o escolhido para ajudar.

      E para algumas pessoas, principalmente as mais velhas, fazer uma pesquisa na internet ou usar o word é algo hardmente difícil.

    3. Jovas disse:
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      Ah, isso com certeza, se não soubessem de nada nem tinha como os serviços fluírem.

      Mas no meu setor é que a coisa aperta. :D

    4. grego bastardo disse:
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      jovas e seu trampo perfecto… velho, isso é muito bom, já aconteceu comigo, mas em nada como trabalho… se bem que na minha casa, o maior entendido em computação é meu velho…

    5. Pedro Ivo disse:
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      pois é… Lembra não, numa aula de produção de texto lá na sala, Jovas?
      Teve gente que achou a msm coisa q seu chefe pq eu sabia arrumar alguns recursos do msn…

    6. Will disse:
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      É impressionante com esses caras de 40 anos ou + acham o excel e o word um verdadeiro enigma da Esfinge…no meu trabalho é igual.

    7. luCCa :D disse:
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      tbm sou de aracaju kaOSPAKSOPAKSPOAKSPOAKPSOAKPS

      viva õ/

    Comenta, diacho!

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