Bagunça Evolutiva

Data: 3 mar 2008
Escrito por Jovas
Categoria: Cotidiano, Geral, Nostalgia
4 Comentários

Quando era pequeno, lá pros meus 8 anos, a vida se resumia em algumas coisas básicas: ir ao colégio, voltar pra casa e fazer a lição que exigia menos de meio neurônio para ser feita, ver tv, jogar vídeo-game ou destruir uns Comandos em Ação até que a hora de dormir chegasse. Nada de correria, tudo tranqüilo. Meu quarto era bagunçado apenas pelos bonecos triturados pelo chão.

Como se tivesse pego uma carona num DeLorean, passam-se 10 anos. Deixei os brinquedos de lado — menos o vídeo-game, que é muito mais que um brinquedo , as lições estão um pouco mais complicadas e os dias se resumem a novas coisas básicas: cerveja, festas e amnésias alcoólicas. Nada mais saudável. Meu quarto agora tem uma desorganização ainda aceitável; na mesa livros de matemática que desejo incinerar, apostilas desgrampeadas, um Nokia 3310 e uma carteira com dinheiro suficiente para pegar um ônibus. Tudo podia ser achado facilmente apenas olhando para o móvel.

Mais uns anos passam, agora estou na faculdade. Paralelamente começo a trabalhar, sendo assim ficar fora de casa praticamente 83% do dia é algo absolutamente normal. Os 10% restantes do tempo uso para dormir, 5% para fazer as necessidades (comer, Nº1, Nº2, banho, sexo e jogar) e os 2% finais sobram pra entrar na internet para jogar e ver pornografia estudar. Só que passando todo esse tempo fora, quando volto pra casa meu quarto tá a maior zona foda. Sem tempo para organizar as coisas, a minha mesa já antiga, tá mais entupida que lotação de meio-dia. No exato momento que escrevo este post, temos amontoados no espaço circular (a mesa é redonda) suficiente para um bêbado deitar e dormir: muitas apostilas essenciais para provas futuras, DVDs, CDs de Playstation, mochila, desodorante, perfume, um disquete, carregador do celular, mp4, um band-aid (?), um panfleto de Santo Expedito e a carteira — que agora tem em seu interior dinheiro suficiente para pegar nenhum ônibus. Isso é o que eu posso VER. Mais objetos ainda habitam o subterrâneo desse ecossistema de materiais particulares. Vou em suas buscas.

Bagunça

Quarto mais ou menos assim

Coloco minha máscara anti-bactérias mutantes e começo a ajeitar as tralhas. Não sabia se meu cérebro ainda se lembrava desse ato; a chance de a parte da minha massa cinzenta que comanda a organização estar atrofiada era grande. Mas o importante era tentar.

Descobertas começam a serem feitas: embaixo dumas 18 apostilhas empilhadas estava um exemplar de uma Veja, de 6 de Fevereiro. A revista tem praticamente 1 mês de publicação, foi colocada na minha mesa por sei lá quem, só que fui jogando tanta coisa em cima que a soterrou completamente. Só agora fui ver que tinha chegado. Também encontrei um bilhete de um amigo do meu pai, que me pedia para emprestar para ele os CDs de “Zé Pagodinho, Timaia, Dijavan, Sandra Sá, Zé Cabalero e Wagner”. Sério. Como não sei quem são esses, não posso ajudar. Taquei o bilhete no lixo.

Na minha mochila achei meio pacote aberto de biscoito. Não sei desde quando estava ali dentro, mas era tempo suficiente para ficarem meio “fofos”. Com a técnica que eu mesmo desenvolvi de trazer os biscoitos de volta a sua consistência original — ande no sol de 1 da tarde durante meia-hora e sua mochila se torna um forno portátil, cozinhando o que tiver dentro , guardei novamente para comê-los no futuro. Embaixo da mochila estava uma calça que usei numa formatura há 1 semana. Olhei os bolsos, apostando na loteria pessoal de talvez achar dinheiro, mas encontrei só um guardanapo da festa. Um guardanapo. Bêbado é foda.

Por fim, achei um alicate de unhas que fazia tempo que procurava e assim finalmente voltou ao mundo dos utensílios. Agora posso usar a mão esquerda para cortar as unhas da outra mão, sem precisão de retalhar os dedos no processo.

Quarto um pouco mais arrumado, sem parecer que passou pela 2ª Guerra, não dou 20 minutos para que minha progenitora me dê os parabéns por deixar tudo limpo e agradável aos olhos. Em compensação dou menos de 10 minutos para que minha pessoa inicie uma nova bagunça e foda tudo novamente.

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    4 comentários em “Bagunça Evolutiva”

    1. mary disse:
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      Meu quarto até que é arrumadinho, com exceção das roupas. Ficam todas jogadas pela cama. Quando eu vou dormir, jogo em outro lugar e assim sucessivamente até o fim dos tempos! (?)

      beijos!

    2. Tarcísio disse:
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      Com a técnica que eu mesmo desenvolvi de trazer os biscoitos de volta a sua consistência original — ande no sol de 1 da tarde durante meia-hora e sua mochila se torna um forno portátil, cozinhando o que tiver dentro —, guardei novamente para comê-los no futuro

      uahuahuahauhauahuaha

      Mt boa!

    3. Thiago Apenas disse:
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      Algumas roupas minhas eu só vejo de 3 em 3 meses e sempre com aquela sensação: Opa!camisa nova! ¬¬

    4. akane disse:
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      meu quarto é arrumado ,menos um baú de brinquedos que eu tenho que dar prum orfanato, na parte de cima dessa desgrama eu coloco uma porrada de coisas que eu tenho que lavar, como: colchas , edredons, fronhas e travesseiros. putz eu nem penso em arrumar isso quanto mais arrumar a minha cama mas fora isso meu quarto e super arrumado , la niguem cohece a palavra mosca.
      e so mais uma coisa,: que nojo comer biscoito que vc nem se lembra. eca meu seja limpo se nao nenhuma menina vai querer falar c/ vc haha

    Comenta, diacho!

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